SHEKINAH
“(hebraico, significa literalmente “[a] Habitação”; isto é, a Presença ou Radiância de Deus)”
“O termo Shechinah era por vezes usado em vez da palavra Deus. Significava que ele “habitava” ou “pousava” sobre aqueles – assim dizia a expressão – cuja virtude merecia essa graça, fosse um indivíduo, uma comunidade, ou o povo judeu inteiro. Quando a concepção de Deus atingiu um estágio mais alto de desenvolvimento (na Era do Segundo Templo) e não se considerava mais apropriado referir-se a ele e a seus atributos em termos antropomórficos – isto é, físicos, como se faria com um ser humano, o termo mais abstrato e simbólico – Shechinah foi inventado como substitutivo.
Alguns estudiosos presumem que existe uma importante conexão entre o conceito de Shechinah e a idéia posterior neoplatônica do Logos – “a Palavra” – que Filon introduziu no pensamento filosófico judaico e que foi adotado com maior ênfase ainda no cristianismo por vários de seus arquitetos helenístico-judeus. O Evangelho de João, por exemplo, inicia-se com essas palavras sugestivas: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.”
No esquema da doutrina neoplatônica das emanações e dos poderes mediadores, tais conceitos relativos à deidade como a Shechinah (a “Presença” de Deus), e a Bat Kol (“a filha da Voz”, ou eco, isto é, a Voz de Deus), foram muito úteis. Jamais ficou satisfatoriamente estabelecido quais eram as diferenças essenciais entre esses termos; foram usados, muitas vezes, uns pelos outros e de maneira um tanto imprecisa, como acontece com todas as idéias místicas.
Diz a tradição que a radiância da Shechinah com suas Bênçãos silenciosas, “repousa” sobre todos os que são devotos e virtuosos. Ela surge, escreviam os antigos rabinos, no meio de pelo menos um minyan de fiéis que rezam em conjunto, e de dois ou mais judeus empenhados no estudo da Torah, ou paira sobre a cabeça de um homem quando pronuncia o Shema. Diz-se também que ela pousa sobre os castos, os benevolentes, e os hospitaleiros, e sobre o marido e a esposa quando vivem em paz e harmonia. A Shechinah, diziam ainda os rabinos, apareceu diante de Moisés na teofania da Sarça Ardente; pousou sobre o Tabernáculo do Deserto no dia da sua dedicação e no Sagrado dos Sacratíssimos do Templo, em Jerusalém; e desde então ilumina a bem-aventurança dos tzadikim (os santos) no Mundo-do-Além.
Alguns Sábios Talmúdicos concebiam a Shechinah como uma essência espiritual de beleza indescritível e de efeito exaltante. Seus colegas de espírito mais literal traduziram-na em termos físicos de luz e radiância. Sua aproximação, afirmavam eles, era anunciada por um som tilintante de etéreos sinos. Havia até uma que descrevia Moisés moribundo envolto amorosamente nas “asas” da Shechinah.
Depois da Destruição do Segundo Templo (em 70 E.C.), a “Shechinah no Exílio” tornou-se uma concepção onipresente no pensamento judaico. O Talmud afirma que onde quer que vá o povo judeu, a Shechinah o segue. Em tempos menos remotos, um costume curioso surgiu entre os judeus da Europa Oriental: chamava-se em iídiche de golus uprechten. Os homens santos, à guisa de penitência por todo o povo de Israel, “partiam para o Exílio [Golus].” Vagavam de cidade em cidade, como mendigos e enlutados, a fim de poderem partilhar do “Exílio da Shechinah” e assim apressar o fim do “Exílio de Israel”.
É um fato interessante que o Rabi Elias, o renomado Gaon de Vilna “seguiu para o Exílio” quando tinha vinte anos de idade, em 1740, e só retornou oito anos mais tarde.”
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Extraído da Enciclopédia Judaica, Livro 6 – Conhecimento Judaico II, pág. 779 e 780, Copyright © 1989, Koogan Participações e Empreendimentos Ltda., The Book of Jewish Knowledge, Copyright © 1984, Nathan Ausubel, Tradução de Eva Schechtman Jurkiewicz.
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Glossário |
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número mínimo de homens judeus para a realização do culto na sinagoga |
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Torah |
os cinco Livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio |
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Shemá |
Deuteronômio 6: 4: “Houve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.” |
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tzadikim |
justos |
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E.C. |
Era Comum, ou, D.C. depois de Cristo |
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Talmud |
coleção de comentários e escritos rabínicos sobre as Escrituras |
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