Autor: H. Estevens Tradutora: Sandra Feldstein
Para tal pergunta somente uma resposta parcial e inadequada pode ser dada, desde que suas ramificações são infinitas. Esta é uma dentre muitas suposições da história “o que poderia ter acontecido?”. Algumas pessoas têm contemplado o que poderia ter acontecido se Israel tivesse aceitado Jesus como o Messias ao invés de tê-lo rejeitado. Nesse caso o curso da história mundial teria sido alterado. Mas suponhamos que o Apóstolo Paulo não tivesse ouvido nenhum chamado para Macedônia e tivesse virado para o leste, como era o seu propósito, ao invés de cruzar para a Europa. A tendência do Cristianismo foi para o oeste. De outra forma, se Paulo não tivesse cruzado para a Europa, os chineses e japoneses poderiam estar mandando missionários para o homem branco.
Enquanto não podemos dar uma resposta completa à pergunta que diz respeito à perda da Igreja como resultado de sua negligência às missões judaicas, certamente algumas são aparentes. Como evidenciado pelo Novo Testamento inteiro, era o divino propósito, desde o começo, que a Igreja fosse composta de judeus e gentios, escravos e livres, homens e mulheres. Reflita por um momento no que poderia ter acontecido se esse equilíbrio tivesse sido mantido, onde judeus e gentios trabalhassem juntos. Vamos observar pelo menos parte do preço que a Igreja tem pago como resultado de sua falha em evangelizar os judeus.
A IGREJA PERDEU...
1. ...SEU EQUILÍBRIO Em se tratando de coisas divinas, há sempre um equilíbrio e uma beleza simétrica. Quando esse arranjo é quebrado, o centro muda e, inevitavelmente, os resultados serão excêntricos. Suponhamos que em nossas igrejas só tivéssemos os escravos sem os livres, os ricos sem os pobres. Você pode imaginar as conseqüências? Em algumas partes estas condições existem. Um exemplo perfeito de degeneração da cristandade seria um arranjo onde os ricos servissem e os pobres se encontrassem do outro lado do muro. Também, suponhamos que a Igreja não tivesse mantido o equilíbrio entre homens e mulheres. Suponhamos que esse mesmo equilíbrio tivesse sido mantido em todas as igrejas nos lugares onde há judeus – e há judeus em quase todo lugar – em todas as congregações onde houvesse pelo menos um ou dois judeus-cristãos (messiânicos) nas suas irmandades.
O Evangelho deveria ser pregado começando em Jerusalém. A comissão missionária – a batida do coração da Igreja, disse “aos judeus primeiro”. Quando os homens invertem a ordem divina, eles podem ter certeza que sofrerão as conseqüências de sua tolice.
2. ...A BÊNÇÃO DE DEUS Desobediência sempre traz maldição. Os efeitos e ramificações são difíceis de serem medidos. Deus disse “salvação primeiro dos judeus” (Rm 1:16). Com tristeza constatamos que na maioria das igrejas, é “ao judeu por último” ou “de nenhum modo ao judeu”. Somente a eternidade mostrará o que a Igreja tem sofrido como resultado de sua negligência em levar avante a comissão divina. Para entender totalmente a seriedade dessa desobediência, leia em Romanos capítulo 11:13-29. Os ramos selvagens da oliveira são alertados contra a atitude de soberba e da satisfação pessoal. Os cristãos gentios são alertados contra a ignorância a respeito do divino propósito para Israel: “Pois não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios em vós mesmos, que o endurecimento veio em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios;” (Rm 11:25) Todo o capítulo é, na maior parte, devotado à tarefa de avisar os gentios crentes contra o perigo de não reconhecer o propósito de Deus em relação ao povo de Israel. A esse respeito, todo o livro de Romanos é significativo. Os primeiros oito capítulos lidam com a questão da ruína do homem e a redenção de Deus; os últimos cinco capítulos lidam com a aplicação prática desse processo de redenção.
Bem no coração desse grande livro, básico e doutrinário, estão três capítulos que freqüentemente, são referidos como “intercalados”. A presença desses três capítulos, lidando com Israel, seu passado, seu presente e seu futuro, tem sempre parecido um enigma para a maioria dos crentes. Há uma conclusão lógica: as Escrituras Sagradas estão tentando dizer a todos os crentes que bem no coração de sua Teologia deve ser encontrado o judeu. No centro de todas as suas doutrinas, verifica-se o propósito de Deus para com Israel. Inúmeros erros e muitíssima confusão têm surgido por causa da falha das igrejas em fazer isto. O mistério das dispensações não será descoberto com nenhuma outra chave. Mantenha Israel no centro de suas pesquisas teológicas para que o equilíbrio possa ser mantido. De novo vamos relembrar a exortação do Espírito Santo em Romanos 11:17-21: Se, porém, alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado em meio deles e te tornaste participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; porém, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti. Dirás, pois: Alguns ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Bem! Pela sua incredulidade, foram quebrados; tu, porém, mediante a fé, estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará.
Quem poderia estimar ou medir as conseqüências de tamanha desobediência? Uma maldição jaz sobre a Cristandade, hoje, por causa da falha de trato com os judeus e sua falha em evangelizar o povo eleito de Deus.
3. ...SUA SAÚDE ESPIRITUAL E VIGOR Missões são a respiração da Igreja. Nenhuma igreja pode ser vigorosa ou saudável sem um espírito missionário. Isto é duplamente verdadeiro em relação a missões judaicas e a disposição para evangelizar a semente de Abraão, Isaque e Jacó. Um estudo histórico da Igreja revela o fato de que todas as tentativas de evangelizar os judeus cessaram por volta da época de Constantino, o Grande, e logo a Igreja entrou na idade média ou das trevas, pois houve mil anos de noite espiritual.
Dessa confusão, quando a Igreja foi transferida de sua base original e transportada para uma montagem puramente gentílica, temos o surgimento da idéia do “Reino”, com o Papa reinando como vice-regente de Cristo na Terra. Todo conceito judaico de ensinos proféticos, prevalecente no Antigo Testamento, foi negligenciado e esquecido. Por quase mil e quinhentos anos houve poucas ou nenhuma tentativa de alcançar os judeus com o Evangelho da Graça de Deus. Então com grande reavivamento espiritual, veio um suave reavivamento de missões judaicas. Quase sem exceção, as igrejas na América que estão alcançando os perdidos, pregando para as massas e prosperando, em geral são igrejas interessadas nos judeus e sustentando missões judaicas. Essas são as Igrejas que chegam mais perto de serem cópias do Cristianismo do Novo Testamento, uma indicação da presença do Cristianismo na sua forma mais pura. Quando encontramos alguém que ama Israel, podemos estar certos de que achamos uma pessoa que se mostrará com a verdade em outros assuntos doutrinários.
4. ...SUA UNIDADE DOUTRINÁRIA Se a Igreja tivesse mantido um esforço para testemunhar do Messias aos judeus, ela nunca teria sofrido tantos extremos como se nota normalmente. Quem pode imaginar um judeu-cristão (messiânico) no uso de suas plenas faculdades mentais, sendo pós-milenista? É totalmente inimaginável. A idéia de que a Igreja é o Israel espiritual de Deus é absurda ao extremo! Com um toque mágico da vara da espiritualização, Israel literal torna-se Israel espiritual e a Igreja se apropria das bênçãos do reino do Antigo Testamento, mas toma o extremo cuidado de deixar todas as maldições serem aplicadas com literalidade severa aos judeus. Raramente achamos um judeu messiânico que não fosse pré-milenista. Com base firmada no Antigo Testamento, tolerar uma posição que coloca Israel de lado é impensável. Por isso, só a presença de um judeu messiânico teria exercido influência restritiva e purificadora na doutrina da Igreja. A Igreja teria sido salva de muitas interpretações extravagantes e apóstatas, que, na sua grande maioria dão a falsa idéia de uma igreja de gentios com um programa de construção do Reino. Certamente a Igreja teria sido poupada de tais movimentos ridículos como os que promovem como doutrina a guarda do sétimo dia, que não é nada mais e nada menos que gentios tentando ser judeus... A Cristandade está sofrendo falta de bases e conceitos hebreus.
5. ...SEU ZELO O resplendor que é tão freqüentemente encontrado no Novo Testamento, a paixão e o zelo espiritual do Apóstolo Paulo e dos convertidos judeus, podem bem lembrar-nos da perda que a Igreja tem sofrido no seu estado atual. Poucos são achados com tamanho entusiasmo e tal abandono pessoal como o judeu-cristão (messiânico). Quem já viu um judeu fazer algo sem colocar todo o seu coração nisso? O judeu é um promotor de nascença. Alguns já comentaram que todos os judeus salvos querem pregar e que não há judeus leigos. Esplendido! Quando um judeu descobre o Messias e entende o que significa, ele explodiria se não contasse aos outros a respeito. Imaginemos então o que teria acontecido ao nosso trabalho pelo mundo se o Cristianismo tivesse ganhado os judeus. Os judeus estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Eles falam as línguas das nações do mundo. Ganho para Cristo, o judeu teria sido um batalhador por Cristo e o Evangelho, até os confins do mundo.
6. ...O RESPEITO E A AMIZADE DO PRÓPRIO JUDEU Isto pode parecer estranho, mas uma das razões porque o judeu é difícil de ser atingido é o tratamento recebido, no passado, das mãos de cristãos professos. A maioria das perseguições na Europa têm sido feitas em nome da Igreja e do Cristianismo. De fontes cristãs professas o judeu tem recebido abuso e aos judeus têm-se referido como os que “mataram Cristo”. Eles têm marcado nos seus corações não somente o preconceito, mas também o ódio. Alguns têm visto seus pais mortos em nome do Cristianismo. Poucas coisas teriam feito mais para segurar a onda de anti-semitismo do que um amor sincero aos judeus por evangélicos e uma tentativa honesta e persistente para ganhá-los para o Senhor Jesus, falando com eles em verdade e amor. A Igreja tem muito que responder por isto. “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do SENHOR por todos os seus pecados.” (Is 40:1,2)
7. ...UMA COMUNHÃO ABENÇOADA
......COM O PAI Isso tem custado a comunhão com Deus, o Pai. Deus ama Israel e tem o propósito de reunir esse povo. De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Ainda te edificarei, e serás edificada, ó virgem de Israel! Ainda serás adornada com os teus adufes e sairás com o coro dos que dançam. Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria; plantarão os plantadores e gozarão dos frutos. Porque haverá um dia em que gritarão os atalaias na região montanhosa de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Sião, ao SENHOR, nosso Deus! Porque assim diz o SENHOR: Cantai com alegria a Jacó, exultai por causa da cabeça das nações; proclamai, cantai louvores e dizei: Salva, SENHOR, o teu povo, o restante de Israel. Eis que os trarei da terra do Norte e os congregarei das extremidades da terra; e, entre eles, também os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto; em grande congregação, voltarão para aqui. Virão com choro, e com súplicas os levarei; guia-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho reto em que não tropeçarão; porque sou pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito. Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho. Porque o SENHOR redimiu a Jacó e o livrou da mão do que era mais forte do que ele. (Jr 31:3-11)
...COM O ESPÍRITO SANTO A falha em deixar de ganhar os judeus tem custado a comunhão com o Espírito Santo. No dia de Pentecoste Ele veio sobre os judeus. Para experimentar a plenitude do Espírito Santo, temos que fazer aquilo que Ele ama.
...COM O SENHOR JESUS Ninguém pode negar a afirmação de que um amor intenso ardia no coração do Senhor para com seu povo. Ele veio como a semente de Davi, como o ministro da circuncisão. Seu coração constantemente transbordava com profunda compaixão pela salvação de Israel. Quando rejeitado, Ele chorou; quando crucificado, Ele orou; quando ressurreto de entre os mortos, mandou que o Evangelho fosse pregado primeiramente a Seu povo. Se o Senhor Jesus, O Messias, ama a Israel e um dia “voltará para reconstruir o tabernáculo de Davi que está caído”, nós temos que amar Israel e orar por sua salvação.
...COM OS IRMÃOS JUDEUS-CRISTÃOS Finalmente, há uma comunhão com os judeus-cristãos (messiânicos), que é linda e distinta. É como nenhuma outra no mundo. Perdemos muito se nunca experimentamos o amor leal dos judeus-cristãos (messiânicos). A falha da Igreja em evangelizar o judeu tem custado muito, mas até que o Messias retorne, que possamos ser achados fiéis, orando pela paz de Jerusalém e a salvação do povo eleito de Deus (Is 54:11-17). Não deixe esta mensagem morrer! A informação que você acaba de ler não tem preço. Sua influência pode ser incalculável. Além disso, esta mensagem pode ser passada adiante para que muitas outras vidas possam ser tocadas por Ele e receber a bênção prometida em João 7:38 que “do seu interior fluirão rios de águas vivas”. As linhas de batalha estão entre Satanás e Deus. Igualmente certa é a verdade, que a batalha envolverá Israel em torno de cuja cabeça, os relâmpagos e trovões da fúria de Satanás cairão e repercutirão por todo o mundo. De que lado você está, caro leitor? Se você está do lado do Deus Vivo, então tome oportunidade de mandar uma mensagem como esta para todos os cantos do mundo. Faça a sua parte e certamente será abençoado!
Missão Brasileira Messiânica Fone (11) 5574-8438 Rua Domingos de Morais, 2102 – Cj. 15, 1º andar – Vila Mariana 04036-000 – São Paulo, SP
Ore pelos judeus. Sua volta ao Deus de seus pais é ligada a uma maravilhosa bênção à Igreja, e à vinda de Jesus. De um modo misterioso Deus ligou Sua plenitude e Sua promessa com nossas orações. A intercessão do Espírito em nós é o começo da bênção de Deus. Ore por Israel e o trabalho feito entre eles; e que a exemplo do Apóstolo João, possamos dizer: Amém. Vem, Senhor Jesus.
São Paulo, julho de 2004. |